off with tim burton’s head

tim_burton_alice_in_wonderlandPara que não restem dúvidas após a leitura deste texto, a versão de “Alice in Wonderland” imaginada por Tim Burton é um excelente filme e uma experiência mágica em cinema que recomendo. Esta recomendação é mais forte para os novos fãs de Burton e vai enfraquecendo para os que acompanham o realizador desde o início. Todo o filme é uma delícia para os olhos e ouvidos, apresentando-nos um mundo fantástico através de uma história bem dissecada das duas obras de Lewis Carroll. Contudo, e como referi anteriormente, os amantes dos primeiros trabalhos de Burton vão sair da sala com uma sensação de quase traição, pois tudo parece muito controlado (pela Disney?) e os poucos momentos em que realmente sentimos o imaginário que conhecemos de Burton parecem-nos forçados e fora do contexto. Outro aspecto menos positivo é a participação de Johnny Depp e Helena Bonham Carter. São, sem qualquer sombra de dúvida, excelentes actores, mas a cada filme que passa nota-se que Burton já explorou todas as suas potencialidades e extraiu de ambos tudo o que podia, o que diminui o factor surpresa cada vez mais. Por exemplo, neste filme ficamos mais apaixonados e maravilhados pelas vozes de Stephen Fry (Cheshire Cat), Alan Rickman (Blue Caterpillar) e Christopher Lee (Jabberwocky) do que pelo desempenho do restante elenco. Burton necessita de repensar a fórmula que resultou no passado, mas que já soa a repetição. As escolhas de Mia Wasikowska (Alice) e Anne Hathaway (White Queen) resultaram bastante bem. Em Dezembro passado referi aqui uma mini-série do canal SyFy também baseada na obra de Lewis Carroll, e o mais engraçado é que apresenta uma visão mais próxima da que os fãs de Burton esperavam do que aquela que fez com que a maioria das pessoas saíssem da sala de cinema um pouco decepcionadas. Termino com uma pequena curiosidade, os sapos que aparecem no filme como mordomos da Rainha de Copas parecem irmãos gémeos de um nosso bem conhecido, talvez familiares emigrantes em Wonderland.

Sugiro também a leitura da crítica de Luís Miguel Oliveira no Ípsilon. Pela primeira vez o texto que escreve, goste-se ou não do filme, é claro e limpo de ódios ou rancores pessoais. Deixei de visitar o Ípsilon por longos meses devido a comentários deste autor, contudo também tenho que admitir o contrário desta vez. Sinceramente, só espero que não seja a única e última…

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